Carlo Ancelotti é um treinador famoso por se adaptar aos elencos que treina, ao contrário de outros nomes como Jurgen Klopp e Pep Guardiola que possuem sua ideia de jogo e gostam de montar times que a executem com perfeição. Aqui não há nenhum juízo de valor, todos são treinadores vitoriosos e possuem carreiras de sucesso treinando da forma que acreditam ser a melhor.
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Flamengo e seus treinadores
O que quero com esse texto é fazer essa constatação: existem os que recebem um elenco e adaptam sua ideia de jogo a ele e os que adaptam seu elenco a sua ideia de jogo. Domenec Torrent foi o treinador escolhido para substituir Jorge Jesus no comando do Flamengo, trabalhou anos como auxiliar do Guardiola e pensa o futebol de maneira parecida com o treinador espanhol, fracassou no rubro-negro, mesmo tendo o elenco mais caro do país e que havia acabado de conquistar uma libertadores e o Campeonato Brasileiro com a melhor campanha da história dos pontos corridos com 20 clubes.

A sombra de Jesus sempre esteve presente no time carioca e após as passagens de Rogerio Ceni e Renato Gaúcho, o Fla foi atrás do português novamente e ao não conseguir trazê-lo decidiu apostar em um compatriota dele, Paulo Sousa. Assim como o Dome, o treinador também é adepto do jogo de posição, gosta dos jogadores com um posicionamento mais fixo, de dar amplitude ao campo, menos jogadores se aproximando a bola e mais da bola chegando até eles, o português também fracassou.

Foi substituído por Dorival Junior, alguém que segue mais a linha de Ancelotti, assim como a maior parte dos treinadores brasileiros, se adapta ao que tem e tenta tirar o melhor daqueles jogadores dentro das características deles, com isso conquistou tanto a Copa do Brasil quanto a libertadores, porém por algum motivo a diretoria decidiu não renovar seu contrato.
Foram atrás de outro português (parece até um fetiche), Vitor Pereira, vice-campeão da Copa do Brasil pelo Corinthians e mais uma vez um treinador que tentou adaptar seu elenco às suas ideias, fracasso retumbante, teve o pior aproveitamento da era Landim na presidência e perdeu tudo que disputou, Supercopa, Recopa, Carioca e o Mundial (tendo caído na semi).
Após tanto tempo e tantas experiências fica claro que o clube precisa de alguém que saiba se adaptar as características de seus principais jogadores (que parecem não render tão bem no jogo de posição) ou renovar seu elenco, porém a diretoria decidiu errar mais uma vez, trouxe Jorge Sampaoli, treinador argentino muito famoso por enxergar a forma que suas equipes devem jogar de um jeito e de não abrir mão dele.
Até aqui a escolha não parece ter dado o resultado que a diretoria esperava, eliminados na Libertadores, fora da briga pelo título brasileiro, mas com chances de conquistar a Copa do Brasil. Sampaoli no cargo parece aquela situação do “dead man walking” nos faroestes, todos sabem que não vai durar, só resta saber quando irá cair.

Conclusão
Se o Flamengo insistir nessa fórmula de apostar em nomes ou nacionalidades para escolher seus treinadores continuará perdendo títulos, mesmo tendo um orçamento e um elenco muito superiores aos seus rivais, os técnicos podem até ter culpa em fracassos, e tem, porém a culpa maior é de quem os coloca lá sem parecer saber o que está fazendo.







